
Pambala é mais uma dessas jóias do atlântico escondidas no litoral angolano. Apesar de ser muito próxima de Luanda, chegar até lá não é tarefa das mais fáceis, já que não existe nenhuma placa ou indicação de caminho.
A primeira vez que ouvi falar dessa praia foi em Cabo Ledo quando um grupo de franceses que estavam acampados ao nosso lado perguntou se conhecíamos. Eles disseram que queriam ir até lá, mas não sabiam exatamente como chegar, e que algumas pessoas lhes haviam dito que era uma praia maravilhosa de coqueiros e areia branquinha.Parece roteiro de cinema no melhor estilo a Ilha, uma praia secreta, difícil de achar que apenas poucos privilegiados descobrem o caminho, rs.
Na realidade o que falta é informação mesmo. Pois a praia não está nenhum pouco escondida, são kms e mais kms de areia branquinha e muita sombra de coqueiros para quem quiser desfrutar.

Pambala foi uma fazenda na época colonial, onde se plantava coqueiros, engraçado que em Angola não se tem o costume de tomar água de coco geladinha direto do coco verde como no Brasil. Olhar aquele mundaréu de coqueiros carregados ali na praia e não poder tomar nenhuma aguinha da uma tristeza danada.
O fim da história todo mundo sabe, o dono foi embora quando houve a guerra, depois dizem que morreu, o lugar ficou abandonado e hoje pertence a um general que não tem interesse em retomar as atividades.
Para chegar à praia que tem o mesmo nome da fazenda é preciso entrar numa estradinha há 18 km depois da Barra do Dande e ir embora estrada adentro até chegar à praia.
O lugar está um pouco sujo, devido aos resíduos que vem do mar, mas continua paradisíaco: o mar azul, as falésias do Dande ao longe e a areia branca emoldurada pelos coqueiros verdinhos fazem lembrar muito o litoral sul da Bahia. Um litoral que não existe mais graças à especulação imobiliária.
Em Pambala a paz e a beleza natural estão garantidas ainda por muitos anos, já que por essas bandas ainda não se investe em resorts faraônicos.

Existe uma pequena comunidade vivendo na vila de Pambala, os garotos são muito prestativos e podem ajudar no que for preciso, dentro das limitações que o lugar impõe é claro.
O fim de tarde é fascinante as cores do por do sol só não são mais belas do que ver o barquinho de pesca aportando com um peixe realmente fresco para o jantar.
A noite em volta da churrasqueira enquanto o peixe assa a gente ainda pode prosear com o guarda fiscal da praia. Sim, isso mesmo, uma praia deserta com peixe fresco delivery e segurança particular, rs.

Entre um gole e outro ele nos conta dos senegaleses e congolenses que tentam entrar ilegalmente no país, das plantações clandestinas de lhambra, do pai êbo que nasceu depois de uma gestação de 12 anos (sim eu disse 12 anos), já com dentes e cabelo. Fala com saudosismo das duas esposas e dos 6 filhos, os dois últimos um casal de gêmeos que ele ainda não conheceu porque está de serviço.

Pambala é a Angola bela, a Angola sem maldade, sem miséria, onde quem tem fome vai pescar, onde a terra é boa e se plantando tudo dá...
Pambala é a Angola pura, onde você pode chegar e prosear sem medo e com a cumplicidade de velhos amigos...
Pambala é a Angola que vale a pena conhecer...