terça-feira, 11 de maio de 2010

O Glorioso e suas Histórias


Aeroporto 4 de Fevereiro antes da reforma (foto by site: cpires)

Desde que cheguei há dois anos atrás o aeroporto internacional 4 de fevereiro, batizado carinhosamente de “Glorioso” pelo Diário de África, já rendeu muitas histórias, algumas intrigantes, outras irritantes, mas sem dúvida nenhuma muitas curiosas e engraçadas.


Aeroporto 4 de Fevereiro depois da reforma (foto by site:airportworld)


Hoje sem dúvida nenhuma o aeroporto funciona como um verdadeiro aeroporto internacional, a maioria dos vôos chegam e saem na hora.

Não existe mais aquela fila horrível para pegar o formulário da vilância sanitária, a emigração funciona rapidamente, existem carrinhos para pegar as malas e ninguém fica do lado das suas malas querendo te arrancar uma gasosa, seja ela em kwanzas, dólares e reais, aqui os gatunos são bem ecléticos,rs.


(foto by site jorna de angola)

Mas essas são coisas do passado, agora temos até taxis de verdade nos esperando do lado de fora. O ar condicionado funciona a todo vapor e a lanchonete está lá 24h por dia para matar a fome de quem chega ou quem vai.

Ah, quase ia me esquecendo de falar da reforma, o lugar ficou realmente bonito, mármores e granitos, iluminação, cadeiras e até internet… Sim, sim, sim…. Agora o aeroporto está nos trinques!


(foto by site Angop)

Mas uma coisa não muda e creio que nunca vai mudar : as curiosas histórias do glorioso!

São coisas que só acontecem por esses lados mesmo, como por exemplo na minha última ida ao Brasil. Estava eu bonitinha na fila para entrar na fila da emigração quando uma senhorinha angolana com carinha de vó me aborda.

Senhorinha: A senhora não me faz um favor?
Eu: Não sei, depende!
Senhorinha: risinho de quem sabe que vai pedir algo difícil.
Eu: O que a senhora precisa, já estava eu imaginando que ela me pediria para levar alguma mala que havia estrapulado o limite de peso. Para isso já tinha a resposta na ponta da língua (já despachei). Mas não… nada de mala…
Senhorinha: Não podes levar os passaportes dos meus filhos para São Paulo
Eu (com aquela cara de atônita de quem foi pega de surpresa e demora pra processar a informação): Como?!
Senhorinha: Os passaportes deles caducaram e agora eu tenho de madar os novos.
Eu (já refeita do susto): A senhora me desculpe, mas eu não posso fazer isso. A senhora tinha de ter pedido a renovação na embaixada lá do Brasil.
Senhorinha: Mas é que lá deu problema, faltou documento…
Eu (agora já dona da situação): Ah me desculpe, mas não posso não. Aliás ninguém pode andar com passaporte de outro. Se a polícia federal me pega eu sou presa. Por que a senhora não manda por DHL?
Senhorinha: Demora muito.
Eu: Ah não demora não, são só 15 dias e chega direitinho.
Senhorinha: com sorrisinho de desaprovação sai andando em busca de outra vítima…

2 comentários:

Anônimo disse...

Pelo visto o Glorioso está irreconhecível, nem acredito! Bons ventos!

Quanto às historinhas engraçadas, não tem jeito mesmo. Todo mundo tem certeza que se trata de algum tipo de trambique. Ninguém dá desconto.

m.Jo

repórter de improviso disse...

O "mítico" aeroporto de Luanda... A porta de entrada para milhões de cidadãos... O primeiro impacto que se vive numa realidade totalmente dos padrões dos países desenvolvidos... O primeiro local onde todos descarregam os seus primeiros nervosismos e tensões... Agora, após Janeiro de 2010, todo esse "misticismo" se perdeu com a nova infra-estrutura que, sem dúvida, está ao nível de qualquer eorporto de um país civilizado. Pequeno e modesto mas, sem dúvida, totalmente diferente do que era. Para finalizar vou utilizar uma frase que recebi hoje num e-mail: "Angola está em mudança" e o Glorioso é um excelente exemplo...