Hoje eu li uma frase, no Aerograma, em meio a um lindo texto de quem começa a se preparar para partir: “Angola não se explica, sente-se e é talvez por isso que não se consegue traçar fronteiras claras entre o que amamos e detestamos nela.”
Logo que li, comecei a rir, porque realmente é tão difícil explicar para quem não está aqui as coisas que vemos no dia a dia.
Quem pode explicar por que um bando de pinguins enfeitam o largo que fica aqui em frente ao escritório? Eles simplesmente estão lá para quem quiser decifrar o enigma..
Como não desatar a rir ao ver um carro amarelo ovo descendo a rua com um cidadão vestido todo de amarelo ovo na condução? De longe os óculos amarelo ovo chamam a atenção, seguido pela camisa, amarelo ovo, a gravata, amarelo ovo e o blaser também amarelo ovo esvoaçando no banco de trás. Não é nenhum pouco difícil imaginar de que cor são a calça e o sapato… rs
Ahhh como me lamento de não ter uma câmera nessas horas…
No rádio a estação de notícias entrevista os vendedores do Roque Santeiro em seus últimos dias de labuta no local. Todos inconformadíssimos em terem de mudar de mercado.
As entrevistas são todas tão intrigantes (não consigo achar adjetivo melho,rs), que
o trânsito matinal fica até mais leve e nem sinto a hora passar.
O programa chama-se taxi amarelo (kkk tinha de ser amarelo, rs).
As perguntas e as respostas são muito inusitadas, como por exemplo:
Entrevistador: O senhor está mesmo aqui no Roque a quanto tempo?
Vendedor: Ah estou mesmo aqui… já não me lembro… silêncio… Hum estou mesmo aqui desde que aqui cheguei até hoje…
Em seguida ele vai até outra banca e pergunta a uma senhora:
Entrevistador: Estou vendo que a senhora está mesmo gordinha, foi o Roque que te deixou assim?
Senhora gordinha: Não entendo
Entrevistador: Foi no Roque que a senhora engordou?
Senhora gordinha: Nãooooo já chegeui ao roque com esse corpo mesmo…
Agora o entrevistador vai atrás dos homens que matam os animais para vender fresco no roque (porcos e cabritos são os mais usuais).
Entrevistador: Os meninos já não estào mais aqui, mas temos uma jovem, vamos mesmo entrevistá-la. Jovem, como se faz para matar os animais?
Jovem: sim, aqui mata os animais, paga-se e depois mata.
Entrevistador: Mas como se dá a morte?
Jovem: é mesmo assim paga-se KZ 1500 e mata a cabra e paga-se KZ1500 e mata o porco…
É por essas e por outras que eu concordo plenamente com Afonso Loureiro, Angola não se explica!