Já faz muito tempo que se ouve o jargão “Angola está a mudar”, mas quem vive fora do país, nas redomas do Talatona ou na loucura da cidade talvez não tenha dimensão do quanto Angola está realmente a mudar.
Não estou aqui para fazer propaganda do governo e não há dúvidas que há muito o que fazer, mas é impossível fechar os olhos para as novas centralidades habitacionais que estão surgindo em vários pontos da cidade.
A cidade do Kilamba Kiaxi com mais de 40 mil apartamentos na primeira fase é um bom exemplo.
Lógico que nada é de graça nem cai do céu, tudo tem um custo. Ainda não está claro como essas casas vão ser vendidas, mas o governo já anunciou que para adquiri-las tem de ser cidadão angolano, estar empregado e não ter casa própria. Essas medidas tentam conter a especulação imobiliária.
Para os novos moradores do Kilamba o governo já está preparando um manual de boa vizinhança que explica como viver bem em sociedade. São coisas básicas como não jogar lixo pela janela, não ouvir música muito alta e não parar na vaga do vizinho.
Quem já viveu em Luanda sabe bem porque isso tem de ser ensinado…
Outro exemplo das mudanças é a nova cidade do Camama com casas, apartamentos e 9 faculdades.
Centenas de famílias que foram desalojadas nos programas de requalificação urbana e que estavam em zonas de risco foram alojadas no Zango II e III. Muitas reclamam que é longe, que falta luz, que falta água e uma série de problemas que só o tempo dirá se serão solucionados ou não.
Mas uma coisa é certa, viver do jeito que estavam vivendo em áreas como a do Boa Vista com certeza não era melhor.
Esses são apenas alguns exemplos do que está sendo feito de concreto para melhorar a condição de habitação da população. Ainda tem muito o que ser feito, mas os primeiros passos estão sendo feitos.
E antes que digam que é ano eleitoral, vale lembrar que a eleição passa, mas as casas ficam.
E então você acha que Angola está ou não a mudar?
terça-feira, 12 de julho de 2011
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Luanda Jazz Festival 2011

A terceira edição do Luanda Jazz Festival já está batendo a porta. Mais uma vez Luanda vai receber músicos internacionais de excelente qualidade.
A edição desse ano vai de 29 a 31 de julho e os ingressos já estão a venda ao preço de Kz 8.800 na sexta e Kz 1.100 no sábado e domingo.
Felizmente a organização sentiu no bolso o efeito dos preços abusivos praticados o ano passado e baixaram os preços.

A programação oficial ainda não foi divulgada, mas entre os convidados internacionais o destaque fica por conta de Macy Gray que dispensa apresentações, o Pianista cubano Gonzalo Rubalcaba e Dee Dee Bridgewater, com o show dedicado a Billie Holiday (“To Billie with Love”).
Do Brasil nada mais nada menos que ninguém, bom pelo menos até agora ninguém foi anunciado e como estamos a pouco menos de 2 semanas do início do Festival é muito pouco provável que alguém venha. Uma pena para a comunidade brasileira que é a terceira maior em número de expatriados em Angola!
Mais informações no site oficial do festival
domingo, 26 de junho de 2011
Mais um ícone de Luanda vem abaixo

O patrimônio arquitetônico de Luanda não é respeitado, muito menos valorizado, e isso todo mundo sabe e não faltam pessoas que aprovem a demolição dos antigos casarões da baixa da cidade. Uns alegam que a cidade deve evoluir, outros que Luanda não deve guardar as marcas do colonialismo, enfim argumentos não faltam tanto para os que defendem quanto para os que são contra as demolições desenfreadas que assolam a cidade.

Mas sem dúvida nenhuma não vai ter uma só pessoa que conheceu Luanda que não vá sentir falta do Prédio da Cuca.
Primeiro foi o mercado do Kinaxixi que veio abaixo para a construção de um mega projeto de shopping, escritórios e residências e agora chegou a vez do famoso prédio azul com o letreiro amarelo da Cuca, ponto de referência em quase toda a cidade.
Logo que eu cheguei em Luanda e ainda não conhecia bem a cidade, sempre me guiava pelo prédio da Cuca para chegar ao trabalho, agora os novos visitantes vão ter de encontrar outra bússola para se orientar.
Com a estrutura abalada, depois que começaram os trabalhos de fundação do mega complexo em frente, não houve outra saída a não ser desalojar todos os moradores e proceder a sua demolição.
A demolição está sendo feita aos poucos, piso a piso, e confesso que é muito estranho passar em frente e ver tratores no teto em vez do letreiro luminoso, mas aqui é assim a memória da arquitetura vai se apagando com a mesma velocidade com que as novas edificações riscam o céu e alteram de forma irrevogável o horizonte.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Restaurante da Rua 11

Quem costuma trafegar pela estrada que liga o talatona ao Benfica já deve ter notado uma infinidade de placas com setas indicando o caminho para o restaurante da rua 11.
O restaurante na verdade fica na rua 23 e é um excelente local para quem quer apreciar os quitutes da culinária angolana num verdadeiro restaurante angolano.
Localizado numa rua de chão batido no Benfica, tem aquele ar de almoço de domingo no quintal de casa. A decoração é simples com muitos panos africanos e esculturas de madeira, tudo muito limpo e organizado.
Os pratos são servidos no sistema de buffet, (coma quanto puder) o preço é fixo Kz 4.500, não é nada barato nem mesmo para os padrões angolanos.

Mas a comida de excelente qualidade compensa o preço. Na longa mesa do buffet você vai encontrar o famoso funge de milho e mandioca, muamba de carne seca e de galinha, peixe grelhado, feijão de palma , e o meu prato preferido da culinária angolana: muteta com carne seca.
A muteta é um bolinho feito da semente da abóbora, ele é servido com molho de tomate e carne seca, o do Restaurante da Rua 11 estava impecável.

Para quem gosta de se aventurar pelos sabores exóticos ainda é possível experimentar uma enorme quantidade de verduras como a kizaca que lá é preparada de várias formas diferentes.
O prato que mais chamou a atençao foi o catato, uma espécie de minhoquinha crocante e com muita pimenta. Não, eu não experimentei, prefiro ficar no funje com muteta e feijão de palma mesmo.(para quem quiser saber como é a cara do catato de um pulinho no blog do Afonso Loureiro)

Se você ficou com vontade de experimentar um pouco da culinária angolana num verdadeiro restaurante angolano é só seguir pela estrada do golf até a feira de artesanato do benfica, vire a esquerda na rua do BFA e siga reto até a Rua 23.
OBS: As fotos que ilustram esse post foram retiradas do site: http://viajar.sapo.ao
um ótimo local para encontrar informações sobre Angola.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Ciclo de Cinema Europeu

Mais uma dica para o pessoal que ainda reclama que em Angola não há nada para se fazer ou que tudo é muito caro. O Instituto Camões começa na próxima sexta dia 20 o Ciclo de Cinema Europeu.
Serão apresentados 8 filmes de diferentes países com sessões gratuítas às 15h e as 20h.
O evento ocorre de 20 de maio a 2 de junho.
Para você que mora no Talatona e trabalha na cidade esse é um excelente motivo para fugir do trânsito, mas se você mora e trabalha fora do centro não tem desculpa já que nesse horário o trânsito está no contra-fluxo.
Mas lembrem-se os lugares são limitados, portanto, cheguem cedo para garantir o seu lugar na sala. O Instituto Camões fica na Av. De Portugal, ao lado da embaixada portuguesa.
terça-feira, 17 de maio de 2011
Fica a dica

A companhia de dança contemporânea de Angola está com um novo espetáculo no Chá de Caxinde, infelizmente eu só fiquei sabendo hoje e quem não viu deve se apressar porque as apresentações encerram-se no próximo domingo.
Eu já falei da minha admiração pela coreográfa Ana Clara Guerra, e mesmo sem ainda ter visto o novo espetáculo eu assino embaixo de qualquer apresentação dela, pois já tivi a oportunidade de assistir a outros espetáculos maravilhosos da CDCA.
Para quem reclama que em Angola não tem nada pra fazer, fica a dica, espetáculo de dança contemporânea “O Homem que Chorava Sumo de Tomate” no Chá de Caxinde sexta e sábado as 20:30h e domingo as 18:30h.
Mas não esqueçam que essa é a última semana!
terça-feira, 8 de março de 2011
Mães Internacionais

Dia 08 de março é o dia internacional da mulher, esse ano um pouco ofuscado pelo carnaval, mas não menos importante. Para comemorar a data topei participar de uma blogagem coletiva em homenagem as mulheres do mundo todo.
A iniciativa partiu do site Mães Internacionais , um projeto que reune mães brasileiras espalhadas pelo mundo todo. Eu como ainda não sou mãe estou ajudando a divulgar o site e aproveito para fazer uma homenagem as mães angolanas.
A mulher angolana é acima de tudo uma grande guerreira. As zungueiras como são conhecidas as mulheres que andam vendendo pelas ruas das cidades com grandes bacias nas cabeças, tiram o sutento da família.

Não é dificil encontra-las com um filho amarrado nas costas e outro na barriga, com um sorriso no rosto elas enxugam o suor e seguem na batalha um dia após o outro. Muitas vezes essas belas mulheres são vítimas de violência doméstica e o dinheiro suado é tirado para comprar bebida.
Mas a mulher angolana não abaixa a cabeça o tempo todo, elas também mostram a sua força, brigam pela sua família e por um futuro melhor para os seus filhos.

Hoje a mulher angolana conhece os seus direitos e luta por eles.
A OMA, (organização da mulher angolana) é um grande movimento de guerreiras angolanas que não aceitam mais a violência e a discriminação contra a mulher. Um movimento sério e legítimo que tem todo o meu apoio e respeito.
Angola passou por mais de 30 anos de guerra e muitas mulheres tiveram de ser pai e mãe ao mesmo tempo, educando, amando e sustentando seus filhos.
Num país onde a fome e a miséria ainda são tão marcantes e a criminalidade está ai batendo a porta transformar crianças em adultos dignos e de caráter não é tarefa fácil e só é possível com muito amor e dedicação das grandes guerreiras angolanas.
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