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quinta-feira, 8 de março de 2012


O calçadão da Ilha de Luanda é o novo point da moçada que gosta de se exercitar. Com suas pedras portuguesas milimetricamente colocadas lembra muito Copacabana, mas não se enganem a verdadeira inspiração vem de Lisboa terra dos mestres calceteiros.

O calçadão é certamente o local mais democrático e multiétnico de Angola. Aqui aparece gente de todas as idades, de todos os lugares e classes sociais.

Cada um na sua, uns correndo e outros andando. Tem também a turminha que vem só pra ficar olhando o povo. Aqui tem quadra de voley, futebol e basquete (?), bom não sei como faz para jogar basquete na areia, mas quadra tem.


Tem também a galera da aeróbica e do judô que todos os dias estão lá firmes e fortes junto com a galerinha da musculação. Tem patins, tem bicicleta e carrinho de bebê também.


Todo mundo em busca de um pouco de tranquilidade e de um corpo sarado, com a vantagem de sentir aquela brisa de mar gostosa batendo no rosto.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Almoçando na Praia


Hoje em dia a opção de restaurantes é bem mais farta do que quando eu cheguei há 4 anos atrás. E tem opções para todos os bolsos, mas claro que os mais caros são os que mais se destacam na cidade.

Hoje almocei num japonês excelente, não gosto de fazer propaganda mas o Shogun merece. Comidinha de primeira, ambiente ótimo e de quebra você ainda pode pegar uma prainha.

Além disso, ele tem boas opções de pratos quentes para quem não gosta de comida japonesa. Os preços são salgados, acima da média, mas para um almocinho especial vale a pena.



O Shogun fica na Ilha mas do lado esquerdo em frente ao antigo Portugália de frente para a praia. Tem cadeiras de praia, esplanada e sala fechada com ar condicionado.

O único porém fica por conta da qualidade da água do mar que não é das melhores. Mas se você quer apenas pegar um sol o lugar é perfeito porque tem uns chuveirinhos na praia que você pode se refrescar e de brinde como ele fica do lado esquerdo você não pega aquele trânsito horrível da ilha.



No shogun eu recomendo a sakerinha de morango e o Jo de salmão com shitaki, só que hoje não tinha shitaki, tsc tsc tsc

Angola está a mudar, mas os problemas de abastecimento continuam...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Pambala


Pambala é mais uma dessas jóias do atlântico escondidas no litoral angolano. Apesar de ser muito próxima de Luanda, chegar até lá não é tarefa das mais fáceis, já que não existe nenhuma placa ou indicação de caminho.

A primeira vez que ouvi falar dessa praia foi em Cabo Ledo quando um grupo de franceses que estavam acampados ao nosso lado perguntou se conhecíamos. Eles disseram que queriam ir até lá, mas não sabiam exatamente como chegar, e que algumas pessoas lhes haviam dito que era uma praia maravilhosa de coqueiros e areia branquinha.Parece roteiro de cinema no melhor estilo a Ilha, uma praia secreta, difícil de achar que apenas poucos privilegiados descobrem o caminho, rs.

Na realidade o que falta é informação mesmo. Pois a praia não está nenhum pouco escondida, são kms e mais kms de areia branquinha e muita sombra de coqueiros para quem quiser desfrutar.



Pambala foi uma fazenda na época colonial, onde se plantava coqueiros, engraçado que em Angola não se tem o costume de tomar água de coco geladinha direto do coco verde como no Brasil. Olhar aquele mundaréu de coqueiros carregados ali na praia e não poder tomar nenhuma aguinha da uma tristeza danada.

O fim da história todo mundo sabe, o dono foi embora quando houve a guerra, depois dizem que morreu, o lugar ficou abandonado e hoje pertence a um general que não tem interesse em retomar as atividades.

Para chegar à praia que tem o mesmo nome da fazenda é preciso entrar numa estradinha há 18 km depois da Barra do Dande e ir embora estrada adentro até chegar à praia.
O lugar está um pouco sujo, devido aos resíduos que vem do mar, mas continua paradisíaco: o mar azul, as falésias do Dande ao longe e a areia branca emoldurada pelos coqueiros verdinhos fazem lembrar muito o litoral sul da Bahia. Um litoral que não existe mais graças à especulação imobiliária.

Em Pambala a paz e a beleza natural estão garantidas ainda por muitos anos, já que por essas bandas ainda não se investe em resorts faraônicos.



Existe uma pequena comunidade vivendo na vila de Pambala, os garotos são muito prestativos e podem ajudar no que for preciso, dentro das limitações que o lugar impõe é claro.

O fim de tarde é fascinante as cores do por do sol só não são mais belas do que ver o barquinho de pesca aportando com um peixe realmente fresco para o jantar.
A noite em volta da churrasqueira enquanto o peixe assa a gente ainda pode prosear com o guarda fiscal da praia. Sim, isso mesmo, uma praia deserta com peixe fresco delivery e segurança particular, rs.



Entre um gole e outro ele nos conta dos senegaleses e congolenses que tentam entrar ilegalmente no país, das plantações clandestinas de lhambra, do pai êbo que nasceu depois de uma gestação de 12 anos (sim eu disse 12 anos), já com dentes e cabelo. Fala com saudosismo das duas esposas e dos 6 filhos, os dois últimos um casal de gêmeos que ele ainda não conheceu porque está de serviço.



Pambala é a Angola bela, a Angola sem maldade, sem miséria, onde quem tem fome vai pescar, onde a terra é boa e se plantando tudo dá...

Pambala é a Angola pura, onde você pode chegar e prosear sem medo e com a cumplicidade de velhos amigos...

Pambala é a Angola que vale a pena conhecer...

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011


Foto: Jornal Sol 7/01/2011

Quando se volta a Angola, após um longo período fora, a sensação é de que tudo a sua volta está diferente. São tantas as obras em andamento que mesmo sabendo que 2 meses apenas não são suficientes para mudar uma sociedade inteira, tudo parece novo.

Não sei se foram as chuvas de verão ou as campanhas de educação espalhadas por toda a cidade, mas fato é que Luanda está mais limpa. Ou será que são meus olhos?

Lógico que os problemas crônicos da cidade não acabaram e ainda me dói ver as valas de escoamento de água da Rocha Pinto cobertas de lixo, mas as ruas principais estão sim mais limpas e com semaforos em todos os cruzamentos.

Tudo bem que eles ainda não funcionam, isso é só uma questão de tempo. Lembro muito bem que quando cheguei aqui há 3 anos atrás não havia nenhum sinal nas ruas e isso foi um grande choque pra mim, era praticamente impossível atravessar um cruzamento sem se jogar em cima de outros carros.

A Ilha do Cabo está ficando linda. Lembra muito Copacabana, só uns 200m foram requalificados, mas confesso que a sensação de andar por esse pequeno espaço ao fim de tarde é ótima, principalmente quando se sabe que em breve toda a ilha estará assim.

Novos restaurantes, novos supermercados, novas vias, novos postes de iluminação, novos empreendimentos residenciais… São tantas as benfeiturias que ainda estou perdida.


Foto: http://www.skyscrapercity.com

Ontem fui ao novo supermercado Kero, não gosto de fazer propaganda, mas esse realmente merece! São mais de 11.000m², estacionamento enorme, muito muito limpo e iluminado. Mas o que mais me surpreendeu foi atendimento. Impecável! Excelente treinamento da equipe toda.

E antes que alguém mais pessimista comece a reclamar que esses benefícios são só para os ricos e que a miséria continua a mesma para o resto da população. Devo lembrar-lhes que a praia é de todos, o supermercado gerou mais de 500 empregos diretos para os angolanos e que a porcentagem de angolanos vivendo na miséria caiu de 70% para 35% nos últimos 3 anos.

Ainda há muito o que se fazer, mas não posso negar que Angola está mesmo a Mudar!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Dia da criança



Ontem dia 1 de junho foi feriado aqui em Angola, dia da criança. Curiosamente o dia da criança é feriado, no entanto o corpus christi não. Como já disse antes, Angola não se explica…

Eu sempre falo que as crianças angolanas são lindas e pouco assistidas, praticamente não há lugares para elas brincarem, praças, playgrounds ou atividades culturais…

Elas são muito esquecidas e não é difícil ver crianças brincando em montes de lixo.

Uma cena triste!



Mas uma coisa não se pode negar, como são felizes essas crianças!!!



No fim de semana fomos a Cabo Ledo, a idéia era acampar, mas a praia estava fechada. O exército estava fazendo exercícios na praia. Bem que eles podiam ter escolhido um lugarzinho mais feinho para fazer exercícios militares.



O jeito foi ir até Cabo de São Brás, uma praia um pouco mais a frente e tão linda quanto Cabo Ledo, só que mais deserta ainda. Lá só tem uma aldeia de pescadores, nada de pousadas ou restaurantes.



No caminho paramos na aldeia de Cabo Ledo para comprar carvão e um grupo de meninas se aproximou do carro. Elas riam tanto que era impossível ficar indiferente. Logo que eu puxei papo elas começaram a cantar e dançar, todas muito bem ensaiadinhas. Não, não era nenhum teatrinho para arrancar dinheiro de turistas, a única coisa que me pediram foi para tirar os óculos, pq segundo elas, eu era muito bonita para ficar escondida (hehehehe).



Assim são as crianças de Angola, alegres e festeiras o tempo todo…

sexta-feira, 27 de março de 2009

Ambriz




Ambriz, na província do Bengo, é uma cidade relativamente próxima a Luanda, cerca de 250km, mas a estrada é horrível. Levamos quase três horas para percorrer os últimos 100km entra a Barra do Dande e Ambriz.

Ao contrário das outras cidades essa fica na parte de cima da praia. E pela primeira vez cheguei em uma praia que estava limpa, completamente limpa. Talvez a falta de acesso justifique a limpeza do local ou quem sabe a dificuldade de chegar a cidade.

Não importa a praia é limpa e linda.



A cidade meio abandonada e muito tranqüila, não dá muito bem para explicar, mas é como se eles estivessem a parte do resto de Angola. A rua principal é toda cortada por um enorme jardim com bancos e aquele ar bucólico de interior. O destaque fica para as ruínas de uma antiga câmara que abriga a torre do relógio. A torre permanece em pé ao contrário de todas as outras paredes que já foram ao chão.



Há anos atrás dizem que a cidade era um importante posto pesqueiro, ainda existem muitos pescadores e peixes secando ao sol.

A cidade fica num local muito bonito, de um lado o mar e do outro umas espécies de lagoas com areias branquinhas.

Uma coisa que chamou a atenção é que lá ao contrário dos outros lugares ninguém vem pedir dinheiro ou comida, nem mesmo ficam olhando quem são os forasteiros que chegaram.

Para quem pretende conhecer o lugar apesar da estrada ruim, indo com calma e durante o dia chega-se fácil. Existe uma hospedaria na cidade em condições precárias, mas é o suficiente para um banho e uma noite de sono tranquilo.

O único restaurante da cidade oferece uma execelente comida caseira com preços justos. Mas atenção é necessário ir antes da hora do almoço/jantar e fazer o pedido com antecedência.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Lobito



Uma viagem de trabalho de última hora me tirou dos últimos dois dias de Festival, uma pena... Mas como o que não tem remédio, remediado está o jeito foi aproveitar a viagem de trabalho para conhecer outro lugar lindo desse país.

Lobito é realmente uma cidade acolhedora, com ruas amplas, arborizadas, limpas, sem trânsito e com o oceano atlântico de um lado e uma pequena baía do outro. As pessoas são muito simpáticas e acolhedoras, em nada lembra a confusão de Luanda.



Bom, por enquanto não lembra, pois em breve Lobito irá viver uma revolução. São inúmeros os investimentos na região. O porto está sendo reformado e pretende-se que seja o maior do país. Uma refinaria com investimentos superiores a 6 bilhões de dólares começará a ser construída em 2009.

O mercado imobiliário está passando por uma crise, não existem imóveis disponíveis e casinhas de 3 quartos estão sendo vendidas por 1 milhão de dólares. Os terrenos estão valendo ouro na restinga, região nobre de Lobito.



Mas enquanto o caos não chega, e espero que não chegue, a região é linda para um passeio de final de semana, são apenas 5 horas de carro ou 37 minutos de avião.

Ir para Lobito de avião é uma experiência a parte, se as pessoas acham o terminal internacional confuso, é porque não conhece o terminal doméstico,rs. Aqui a confusão começa para comprar a passagem que é emitida na hora a mão. Depois espera-se na sala de embarque um ônibus que quando chega faz com que todos que estão no terminal levantem para saber se é esse ou não o do seu vôo já que não há informações em telas eletrônicas ou sistema de som.

O vôo em sim é excelente, o avião e o serviço dentro do esperado para um vôo tão curto e a paisagem lá de cima realmente é espetacular. Mas ao chegar em Catumbela lembro de novo que estamos em Angola. Pra começar ao descer do avião não tem ônibus para nos levar e ficamos no meio da pista a espera. Depois ao chegar no terminal sou encaminhada direto para emigração enquanto os outros passageiros passam normalmente.



Me pergunto, mas como será que descobriram que eu era estrangeira? Sotaque? Eu nem abri a boca, pelo passaporte? Não ele não foi solicitado em nenhum momento...

Ah já sei, o meu bronzeado do projeto angolana 2009 ainda não está 100%. Para os fiscais do aeroporto só os branquinhos são estrangeiros os negros são todos angolanos...

Seria isso um sinal claro de preconceito ou estou vendo fantasmas onde não há? Enquanto estava aguardando na fila da emigração uma angolana morena clara foi interpelada para ir ao guiche de emigração e causou maior rebuliço, disse que não ia e queria saber por que ela tinha de ir já que ninguém mais tinha ido, exigiu a presença do gerente e só quando o superior chegou é que mostrou seu passaporte angolano...

É amiga, discriminação aqui não é só para estrangeiros, basta fugir do padrão...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Praia de Santiago



Praia de Santiago no município de Cacuaco é conhecida não pelas suas águas calmas ou areias desertas, mas sim pelo grande cemitério de navios em que se transformou.

Eu não sei por que tantos navios vieram parar naquele lugar, talvez nosso amigo Fernando Baião possa esclarecer esse mistério, ou quem sabe a querida Massaroca que conhece bem essas paragens e sempre tem doces comentários a fazer.

Mas mistérios a parte, o lugar impressiona. São dezenas de navios enormes enferrujando na costa, uma paisagem que no mínimo é surreal em pleno século XXI.

Claro que para nós turistas, o lugar ganha um charme todo especial, mas o impacto ambiental que todo esse ferro deve causar no ecossistema marítimo não deve ser pouco, isso sem falar na perda econômica já que todo aquele ferro velho deve valer uma bela nota, isso é claro antes de se tornar uma ferrugem só...

Pesquisando na internet encontrei uma explicação para o cemitério de návios, no blog do Nuno Gomes existe a seguinte informação:

"Ao longe existem vários navios encalhados, uns dizem que durante a guerra velhos navios eram carregados com armas e depois encalhados aqui para descarregar. Outros dizem que quando os navios estavam em fim de vida eram trazidos para aqui para abater. Qual será a verdade? Talvez as duas sejam verdade, quem sabe. Felizmente ao que parece já proibiram de abater navios aqui. Pode ser que um dia estes sejam desmantelados e a paisagem volte a ser o que era."

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Cabo Ledo – um paraíso ameaçado!



Que Angola é um país de muitos contrastes, isso todo mundo já ouviu falar.

Se de um lado existe a riqueza do petróleo e dos diamantes do outro existe a miséria e a fome da grande maioria da população...

Enquanto uma minoria chega ao país com pós graduação no exterior, a maioria da população é composta por analfabetos...

De um lado as belezas naturais e do outro o crescimento desordenado e a exploração desenfreada...

Agora, que existem leis ambientais para proteger e preservar as riquezas naturais dessa terra abençoada, quem é que sabe? Tenho acompanhado de perto a destruição de um paraíso natural em nome da “reconstrução” do país.

Cabo Ledo é uma praia da província do Bengo que fica a aproximadamente 1:30 h de Luanda. Linda, com águas claras, vila de pescadores, montanhas. Ops! TINHA montanhas, porque as montanhas foram transformadas em pedreiras e cada semana resta menos montanha para contar história.

O lugar paradisíaco e com enorme potencial turístico, freqüentado por surfistas loucos para aproveitar as esquerdas perfeitas, está acabando!

A lei ambiental não protege o local, não sei como funciona a concessão da exploração daquelas terras, mas uma coisa eu tenho certeza não é em nome da reconstrução do país que ela está sendo explorada. Afinal de contas, o que mais se constrói por essas bandas são condomínios luxuosos, o povo mesmo continua sofrendo nas musseques, sem água, sem luz, sem saneamento básico, sem coleta de lixo e com as suas “ruas” esburacadas!

Os ambientalistas locais até que se esforçam, em dez anos foram aprovados vários documentos legislativos incluindo políticas gerais e em alguns casos setoriais, dentre os quais a Lei de Bases do Ambiente, de Terras, legislação sobre avaliação de impacto ambiental, sobre as associações de defesa do ambiente, assim como documentos de política e estratégia para a proteção da biodiversidade e combate às alterações climáticas.

No entanto, conforme destacou, o ambientalista Vladimir Russo em entrevista para a Angop, “existem deficiências quanto à sua implementação prática e cumprimento da mesma tanto pelos cidadãos como pelos setores públicos e privados. Apontou como casos mais notáveis de incumprimento da legislação ambiental, o fato de haver uma deficiente implementação do decreto sobre a avaliação de impacto ambiental, com aspectos relacionados com a proteção das áreas protegidas, exploração insustentável de recursos naturais, entre outros.”

Angola é um país onde falta muita coisa, mas leis não faltam, elas já foram feitas! O que falta nesse caso, é que o governo e a sociedade cobrem que elas sejam cumpridas! Falta é que a iniciativa privada pense menos no lucro e respeite mais as leis ambientais.

O artigo 24º da Lei Constitucional garante aos cidadãos o direito de viver num ambiente sadio e não poluído. No meu entender, isso inclui preservar as áreas costeiras como a praia dos surfistas em Cabo Ledo.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Porto Amboim



O trajeto Luanda – Sumbi é repleto de praias paradisíacas como cabo ledo, velha conhecida dos leitores do blog, Cabo de São Brás e depois de muito chão e terras e mais terras improdutivas aparece lá longe no horizonte Porto Amboim...



Que visão linda, águas calmas, areia branquinha, navios naufragados e uma pequena vila de pescadores. Perfeito, para quem como eu ama a natureza. O lugar é um verdadeiro oásis.



Mais uma vez me impressiono com o potencial turístico de Angola. Pessoalmente gosto de lugares selvagens, mas como Angola precisa e tem tudo para se desenvolver, o lugar é perfeito para a implantação de um daqueles resorts “all included” no melhor estilo “Club Med” da vida.

Sumbe: Paraíso ou inferno?



Um paraíso natural escondido entre as mazelas africanas, assim é o Sumbe, cidade litorânea da Província de Kwanza Sul. As águas azuis do mar aliadas ao calçadão bem cuidado por si só já seriam suficiente para fazer do Sumbi um “Guaruja” angolano. Mas além disso no sumbe ainda existem inúmeras atrações naturais inexploradas.



O potencial turístico da região é enorme, existem rios com corredeiras para os apaixonados por rafting, canyons, cachoeiras, fontes de águas quentes e muitos vales verdes para a prática de trekking ou simplesmente para sentar e ficar apreciando o por-do-sol.



Os ventos que sopram na praia também são fonte de inspiração para os amantes da vela, asa delta e kite surfing.



Qualquer operadora de ecoturismo ficaria encantada com o lugar. Mas o que acontece no Sumbi é o oposto. O lugar está abandonado, os morros cheios de casebres e as famílias amontoando-se nas estradas a espera que alguém pare para comprar bananas, milho, tomate, peixe e etc.



Eu não sei exatamente como aquelas famílias sobrevivem uma vez que não existem indústrias, plantações, comércio e muito menos turismo na região.



O mais chocante pra mim e ver a quantidade de terra improdutiva ao longo de todo o trajeto. São kilometros e kilometros de terras abandonadas. Provavelmente seus donos estão à espera que a especulação imobiliária avance para o interior e eles possam lucrar com a venda.



Enquanto esse dia não chega à grande massa da população permanece sem água, sem luz, sem educação, sem saúde e sem emprego. As estradas imensas cheias de crianças que perdem a infância na beira da estrada a espera que alguma alma benevolente pare para comprar seus produtos. Mas a verdade seja dita, apesar de todo o sofrimento, elas ainda mantém aquele enorme sorriso angolano!

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Praia das Tartarugas



Domingo ensolarado é convite certo para a praia, nem mesmo o cacimbo, que deixa os angolanos tremendo de frio, intimida nos brasileiros. Para nós o cacimbo é só uma brisinha gostosa que alivia o sol forte africano. Saímos de casa muito animados para conhecer uma praia nova chamada de Praia das Tartarugas. Essa praia fica bem embaixo do Miradouro da Lua, se a vista de cima é linda imaginamos que de baixo seria estonteante...

Descemos a estradinha de terra sinalizada por uma minúscula placa e cruzamos uma porteira (aberta), que dizia ser ali um local de proteção das tartarugas marinhas, o que nos deixou mais animados ainda, com a doce ilusão de encontrar algo semelhante ao Projeto Tamar realizado, com muita seriedade, no Brasil.

Ao terminarmos a descida não havia mais nenhum sinal de preservação de tartarugas, havia sim uma bela casa e mais a frente vários carros parados na sombra onde animados estrangeiros preparavam um churrasco.



Paramos o carro ao lado e nos preparamos animadamente para tirar muitas e muitas fotos, mas eis que então uma pit Bull gringa que mesmo morando em Angola, e habitando um lugar que se diz ser de preservação de tartarugas marinhas, não fala uma palavra em português, nos interpelou de forma muito meiga: “This is a privety propriety, unfortunetely you can´t stay here!”

Um olhou para a cara do outro sem saber o que fazer, sabe cara de cachorro caído da mudança? Pois é, essa mesma... Depois de argumentarmos que não havia nenhuma placa dizendo que não podíamos entrar, que ali era uma praia, que praias são públicas e blá, blá, blá. E a pit Bull parecendo um disco furado repetindo: This is a privety propriety, This is a privety propriety, This is a privety propriety. Um outro gringo que arranhava o português disse, ok podem tirar fotos da praia.



E lá fomos nós, tirar fotos, mas sem nenhum encanto, confesso que não consegui aproveitar nenhum pouco a beleza do lugar a única coisa que passava pela minha cabeça era como alguém pode dizer que a praia é propriedade particular? E cadê o tal de programa de preservação de tartarugas marinhas? Havia até uma carcaça de tartaruga jogada na areia numa demonstração clara de que respeito por tartarugas marinhas ali passa longe!

Nessas horas eu vejo como o Brasil está anos luz a frente de Angola no que diz respeito a educação ambiental. O Projeto Tamar, que é realizado em diversas praias brasileiras, tem conseguido resultados excelentes na preservação das bichinhas e principalmente no que diz respeito a educação ambiental das comunidades locais e dos turistas. Em qualquer base do projeto que você for com certeza vai ser bem recebido, vai receber informações sobre a importância do programa, sobre os hábitos das tartarugas e principalmente da importância de se preservar a vida marinha para o futuro das próximas gerações..



Acabamos ficando sem praia, sem tartarugas e com uma tremenda frustração, mas como o sol ainda estava forte o jeito foi botar a viola no saco e partir para a outra praia...

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Mussulo



Ilha é um pedaço de terra cercado de água por todos os lados certo? Errado! Aqui em Angola, basta ter um monte de água em dois lados para virar uma ilha...

Mussulo é uma ilha que não é bem uma ilha. Apesar do caminho mais fácil e mais usado para se chegar ser o barco a ilha do Mussulo é um braço de mar. Não sei porque chamam de ilha, mas enfim a ilha de Luanda também não é uma ilha...



Lá é o point das Patricinhas e Mauricinhos aqui de Angola. A praia é bonita, mas não se compara as outras praias que tem por aqui. O lugar é cheio de casões, bares com espreguiçadeiras na areia e muita gente.



Mussulo, apesar da aurea fashion que se dá ao lugar, também tem a poesia da simplicidade de Angola. Não é difícil encontrar mulheres vendendo panos com sua roupas coloridas e aquele sorriso tão característico dos angolanos. Pescadores e crianças correndo pelas areias completam o cenário bucólico da ilha. E claro não poderia terminar o dia sem o por-do-sol.



Simplesmente espetacular...

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Indo para o Buraco



No Brasil quando a gente fala que alguém foi para o Buraco é porque o cara realmente se deu mal. Já aqui em Angola ir para o Buraco pode ser uma experiência muito boa. O Buraco em questão é o nome de uma praia muito próxima de Luanda e totalmente selvagem.



De um lado o mar aberto, com direito até a avistar baleias, e do outro uma baia com águas cristalinas, areia branquinha, siris, pássaros e a tranqüilidade que só quem tem a consciência tranqüila é capaz de desfrutar...



Como uma imagem vale mais do que 1.000 palavras, vou parar por aqui e deixar que as fotos falem tudo o que eu não consigo expressar com palavras...